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Por quê os médicos omitem a verdade?



02/12/2004
Temos observado por parte da imprensa e conseqüentemente da opinião pública, um grande interesse por esse tema, já que o mesmo é motivo de constantes discussões e de abalizados artigos na imprensa de nosso país. Verdadeiramente não é raro (falo por minha área, sou toco ginecologista),o fato de pacientes portadoras de lesões pré cancerosas de colo de útero (neoplasias intra epiteliais III grau) ou mesmo um carcinoma ´´in situ``(doença restrita só à mucosa do colo), serem submetidas à retirada do colo ou mesmo de todo o útero (histerectomia); os quais são os tratamentos preconizados para tais patologias. No entanto, observamos posteriormente, que essas mesmas pacientes ao serem argüidas sobre as causas de tais cirurgias, não relatam com precisão os seus históricos patológicos, algumas nem mesmo sabem à qual tratamento cirúrgico foram submetidas.
Quanto aos responsáveis por esses atos (os cirurgiões), justificam-se argumentando que alguns pacientes ou mesmo seus familiares mais próximos, não apresentam níveis culturais à altura de conviverem ou saberem-se portadoras de um câncer, mesmo em estádio inicial; o que lhes causariam reações depressivas adversas, e que isso lhes dificultariam até mesmo a cura do referido mal.
Essa postura de ´´esconder`` do doente seu verdadeiro mal, é uma conduta muito antiga que defendia o isolamento do enfermo de qualquer fator que ´´quebrantasse`` o espírito do mesmo, ainda oriunda dos postulados de Hipócrates (considerado o pai da medicina). Prática bastante observada no século XIX, quando o arsenal terapêutico era paupérrimo e a cura era vista como algo empírico e envolta em uma atmosfera bastante mística.
Em nossos dias, a maioria de nossa classe pauta sua conduta face à situação citada, no artigo nº 59 do nosso código de ética médica que diz: É vedado ao médico deixar de informar ao paciente o diagnóstico e o prognóstico de sua doença, os riscos e objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta ao mesmo possa provocar-lhe dano; neste caso essa comunicação será feita ao seu responsável legal.
Ressaltamos, no entanto, que quem mais acusa nossa classe médica de omitir ou alterar quadros clínicos de pacientes, são os planos privados de saúde. É tanto que todos eles hoje dispõem de auditoria própria para fiscalizar e autorizar exames ou tratamentos; por outro lado os médicos revidam dizendo que os planos privados são empresas e como tais, só visam lucros, e que reduzem o acesso do usuário a um pleno atendimento; e que o fato de pedirem exames ou pareceres de outras especialidades freqüentemente, é com o único intuito de criar um bom subsídio para ´´fechar`` um diagnóstico, contando já com o prováveis ´´cortes`` realizados pelos auditores do plano em uso.
Infelizmente, a nossa realidade de brasileiros não está fácil, o abandono da saúde pública por parte do poder público, abriu esta possibilidade do surgimento das empresas de saúde, que em sua grande maioria não têm condições de manter uma boa assistência aos seus usuários, que por sua vez são assalariados e pouco podem dispor para contratarem planos já falidos. Esperamos que a saúde pública um dia seja priorizada pelos poderes constituídos, e que a adesão a um plano de saúde, não seja uma imposição da precária realidade em assistência à saúde pública que tão bem conhecemos, mas uma opção distintiva ou de foro íntimo.



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