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ES: médicos do Hospital São Lucas voltam a pedir solução ao Ministério Público



17/09/2012
Como num filme reprisado, o Sindicato dos Médicos do Espírito Santo (Simes) voltou ontem a registrar pedidos de providências ao Ministério Público Estadual, para "garantia de atendimento digno à população" no Hospital São Lucas. O Simes solicitou, ainda, ao Conselho Regional de Medicina (CRM), intervenção ética na unidade.

Os mesmos pedidos, em decorrência de superlotação e da falta de equipamentos para tratar pacientes graves, já haviam sido feitos pelo sindicato aos mesmos órgãos, em março de 2011. Na época, médicos do São Lucas chegaram a paralisar o atendimento e a chamar a polícia após o registro da morte de um paciente e atendimento de outros, em corredores sem ventilação, de forma precária.

No "inferno"
Nesta semana, além da sobrecarga de pacientes, outro fato levou o Simes a pedir providências: o neurologista Paulo Roberto de Paiva postou no Facebook a informação de que há moscas e mosquitos no centro cirúrgico do hospital. Ele definiu a unidade como "rascunho do inferno".

Segundo o sindicato, "são mais de 100 pacientes excedentes à capacidade do hospital, pacientes amontoados em corredores sem ventilação, ao lado de lixeiras, com graves feridas expostas e sem qualquer proteção".

Advogado do Simes, Telvio Valim afirma que médicos não têm condições de exercer a Medicina "com honra e dignidade" no São Lucas. "Há que se perguntar se o hospital está com moscas ou entregue às moscas", diz ele.

Desde 2010, o hospital funciona, em caráter provisório, nas dependências do Hospital da Polícia Militar, em Vitória, enquanto espera a conclusão das obras do novo São Lucas, no Forte São João, também em Vitória. A reforma deve ficar pronta em 2013.

O Ministério Público diz que, sobre o centro cirúrgico, tramita no órgão um procedimento administrativo. Mas ressalta que um relatório do CRM teria apontado "condições satisfatórias de funcionamento".

Para o vice-presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM), Oswaldo Pavan, no entanto, "a Saúde no Estado agoniza". O CRM fará reunião sobre o assunto às 10h do próximo dia 21. O governador Renato Casagrande e representantes do Judiciário, do Ministério Público e da Secretaria da Saúde serão convidados.

Na prática, a dona de casa Fabiana Félix da Costa constata os problemas da Saúde. Ela diz que sua avó ficou uma semana no corredor do hospital. "Ninguém fala o que ela tem. Aqui parece que está tudo errado", disse a jovem, em frente à unidade, ontem.

Secretário de Saúde fala em oportunismo

O secretário de Estado da Saúde, Tadeu Marino, não disfarçou sua irritação com as críticas e denúncias feitas pelo Sindicato dos Médicos ao atendimento do Hospital São Lucas. "É oportunismo. A sociedade capixaba sabe que pegamos uma herança ruim", disse ele, referindo-se à perda de 600 leitos hospitalares em unidades públicas, desde 2005.

Marino frisou que "a Saúde não melhora nem piora de forma rápida", e lembrou que a Santa Casa e o Hospital das Clínicas estão com seus prontos-socorros fechados, o que sobrecarrega não só o Hospital São Lucas, em Vitória, mas também o Dório Silva, na Serra.

O Diretor de Comunicação do Simes, Dr. Gustavo Picallo rebateu à acusação do Secretário de Saúde de oportunismo. “O Simes é oportunista na defesa incansável de seus representados por melhores condições de trabalho e pelas prerrogativas dos médicos em prestar um serviço de qualidade a população. O Simes é oportunista sim em denunciar, tantas vezes quantas forem necessárias os desmandos na gestão pública de saúde. Será sempre oportunista em reivindicar uma remuneração mais justa para o médico e melhores condições de trabalho, pois este é um dever do Estado, e quando cobramos estamos cumprindo nosso papel”, disse.

Céu e inferno
Ainda para rebater as críticas, afirmou, em relação ao médico Paulo Roberto de Paiva, que postou no Facebook informação sobre presença de moscas e mosquitos no centro cirúrgico do São Lucas: "Ele atua numa cooperativa médica, em que deve ganhar mais de R$ 30 mil por mês. Trabalha no que define como inferno, mas com salário de céu".

Segundo Marino, somente com as cooperativas médicas, que disponibilizam para o Estado profissionais de várias especialidades, o governo gasta R$ 500 mil mensais.

"O governo nunca negou que há dificuldades, mas tem agido. Comprou 5,6 mil leitos em hospitais privados e abriu 150, próprios, só no ano passado. Também constrói os novos hospitais São Lucas e Dório Silva, que, em 2013, terão, juntos, 710 leitos", destaca.

O secretário diz que 65% dos atendimentos do São Lucas são ambulatoriais – deveriam ser feitos pela rede básica – e que a unidade salva milhares de vidas. Sobre moscas e mosquitos, diz que, como médico, já viu insetos "até em unidade privada" e que no São Lucas é usado um aspirador.
Fonte : SIMES e Jornal Gazeta



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