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Médicos reagem e consideram acusações feitas por radialista à Bianca Abinader como ataque a toda a categoria



06/10/2011
O que há cerca de dois anos parecia ser apenas um crítica de um radialista ao atendimento na saúde pública em uma unidade do Programa de Saúde da Família de Manaus, passou a ser visto como um ataque pessoal e agora já começa a ser considerado pelas entidades representativas dos médicos como um ataque a toda a categoria na capital do Amazonas. Conhecido como o "Caso Bianca Abinader", tudo começou em janeiro de 2010, quando o jornalista Ronaldo Tiradentes, da Rádio CNB de Manaus, passou a fazer acusações sobre a conduta profissional da médica. Segundo Bianca Abinader, o jornalista, entre outras afirmações, disse, sem apresentar provas, que ela não comparecia ao trabalho há pelo menos três meses e que enganava o povo, além de ter exposto seu salário.

No último dia 23, em episódio mais recente do caso, que, ao longo dos últimos meses já envolveu diversas outras acusações, sindicâncias e ações judiciais, o jornalista teria divulgado, em seu programa matutino, informações sobre a ficha funcional de Bianca Abinader, por conta de processo administrativo instaurado pela Prefeitura de Manaus, órgão para o qual a médica trabalha como concursada. No mesmo programa, o radialista também teria atacado todos os médicos do PSF da capital, acusando, inclusive, uma outra médica, que está de licença, de faltar ao trabalho. Por isso, o Sindicato dos Médicos do Amazonas solicitou as gravações dos programas dos dias 22 e 23, a fim de analisar as acusações e tomar as providências cabíveis.

Bianca Abinader, por conta do processo administrativo, foi suspensa por 90 dias, mesmo garantindo que nenhuma das acusações feitas pelo jornalista Ronaldo Tiradentes foi provada.

O Simeam, segundo seu presidente, Mário Vianna, colocou o Departamento Jurídico da entidade à disposição de Bianca Abinader para que ela possa se defender de todas as acusações que vem sofrendo. Segundo Mário Vianna, na última sexta-feira, dia 30, Bianca entrou em contato com o sindicato e solicitou apoio jurídico para que a entidade possa auxiliá-la no processo instaurado recentemente.

Para o presidente do Simeam, "o comportamento desrespeitoso que o jornalista Ronaldo Tiradentes apresenta para tratar as questões relativas aos médicos do Amazonas tem de ser contido". De acordo com o Simeam, a Assessoria Jurídica do sindicato poderá disponibilizar "todos os meios jurídicos, administrativos e políticos à Dra. Bianca, a fim de que ela possa se defender das acusações lançadas sobre a sua conduta profissional pelo jornalista Ronaldo Tiradentes". "Nesse sentido, a Assessoria Jurídica continua à disposição da Dra. Bianca para enfrentar o jornalista da Rádio CBN Manaus", afirma a diretoria do sindicato.

A diretoria da Federação Nacional dos Médicos informou que está acompanhando de perto o caso Bianca Abinader e se diz preocupada e solidária com o problema enfrentado pela médica.

Entenda o caso

Bianca Abinader, que acredita estar sendo "perseguida por questões políticas", contou que, no final de 2009, criou, com 150 profissionais entre médicos, advogados, taxistas e outros, o movimento "Manaus de Olho", que visava fiscalizar e debater atos públicos que fossem considerados abusivos. Bianca liderou o movimento juntamente com uma fisioterapeuta e um blogueiro e o primeiro ato de protesto foi contra a aprovação do aumento do IPTU. Segundo ela, logo após a distribuição de panfletos à populaçao protestando contra a aprovação do projeto que elevava o valor do IPTU, uma equipe da rádio CBN de Manaus a procurou na unidade de Saúde da Família onde ela trabalhava como médica concursada.

"Eram 11h30min. Eu estava grávida de 8 meses e assim que saí para o distrito a fim de entregar minhas frequências da semana anterior, a equipe da CBN entrou e, usando microfone e gravador, começou a questionar os funcionários. 'O horário dela não é até as 12h? Saiu antes? Ela não está vindo trabalhar?', questionaram. Mesmo com os funcionários explicando que eu estava no distrito e que eu cumpria minhas obrigações, eles continuavam a atacar. No outro dia, sem ao menos terem me questionado, colocaram no ar quase 10 minutos de mentiras e difamações. O radialista me chamava de faltosa, gazeteira, e inventou que eu estava há pelo menos 3 meses sem ir trabalhar. Expôs meu salário, me comparou à escória da medicina e disse que eu enganava o povo, sem prova nenhuma do que afirmava", disse Bianca, afirmando ainda que, por conta disso, sua gravidez, que era saudável, passou a apresentar problemas, o que provocou seu afastamento do trabalho. "Decidi ir até a Secretária Municipal de Saúde de Manaus, meu empregador, e obtive uma declaração que confirmava que em quase 4 anos como concursada eu nunca havia tido nenhuma falta não justificada, nem denúncias da população e também fui novamente com minha diretora pedir um comprovante de que estava com ela no momento que a equipe abordou os funcionários e que fui entregar minha produção semanal", justificou a médica.

Provas lidas no ar

Bianca Abinader contou que a equipe da CBN voltou a procurá-la na manhã seguinte, mesmo dia da veiculação da reportagem. "Perguntaram sobre mim enquanto estava em consulta com a obstetra. A minha equipe explicou que eu estava afastada por motivos de saúde, mas, mesmo assim, eles afirmaram novamente que eu faltei sem me justificar. Foram 3 dias me difamando na CBN Manaus. No terceiro dia, um representante do Sindicato dos Médicos foi até a rádio, explicou o que tinha acontecido e o radialista leu minhas provas no ar. Mesmo assim, continuou me atacando", lamentou.

A médica disse também que duas semanas depois, uma equipe da Secretaria Municipal de Saúde iniciou um trabalho de averiguação no posto de Saúde da Família onde ela atendia. "Foram quase 15 dias de visitas diárias, questionando a mim, meus funcionários e a população que eu atendia. Achei bom, seria uma oportunidade justa e oficial de provar que o jornalista mentiu. Perguntei se era uma sindicância pelas denúncias da rádio, mas disseram que não, que era uma averiguação que aconteceria em todas a unidades da prefeitura. No dia 23 de fevereiro de 2010 entrei de licença maternidade e nesse mesmo dia saiu o resultado da sindicância, que foi totalmente favorável a mim, arquivando as denúncias e comprovando que havia 99% de aprovação do meu trabalho pela população que atendia, mas por quase 1 ano fiquei sem saber que esse resultado existia", assinalou Bianca.

Ação criminal

Ao retornar da licença maternidade, Bianca Abinader foi transferida para um outro local de trabalho. "Um mês depois de minha volta ao trabalho, a CBN Manaus voltou a me procurar. Minha família, que tinha receio da fama violenta desse radialista, permitiu que eu o processasse. Então busquei um advogado e entrei com uma ação criminal", ressaltou.

No dia 31 de janeiro deste ano, o posto onde Bianca trabalhava entrou em reforma e ela e outros 18 médicos foram transferidos para a Zona Leste de Manaus. "Só teria vaga pra mim em posto de Saúde da Família há quase duas horas de minha casa e isso tornaria impossível continuar amamentando minha filha, pois gastaria horas só no trânsito pra me deslocar diariamente. Então, no mesmo dia procurei a SEMSA para contestar, alegando minhas dificuldades. Falei com a pessoa responsável pelo programa Medicina da Família e ela ficou de conversar com o Secretário de Saúde. Nesse mesmo dia, me dirigi ao Distrito Leste para o qual fui transferida, a fim de explicar que ainda não havia me apresentado porque estava contestando a decisão. Voltei outras vezes, mas não obtive resposta. No dia 2 de fevereiro, Ronaldo Tiradentes recebeu a intimação do processo criminal que movi contra ele e foi pessoalmente até o Distrito Leste, onde eu deveria ter me apresentado oficialmente, com câmera na mão. Mesmo com a diretora do distrito tendo conhecimento de que eu já tinha ido justificar minha ausência, ela, que havia recebido um telefonema do próprio secretário, gravou uma reportagem dizendo que eu não tinha aparecido e nem me justificado, o que não era verdade. Ronaldo, com raiva por eu tê-lo processado, voltou a me atacar na rádio e no blog, com mais violência ainda, claramente me ameaçando no ar se eu não retirasse o proceso", disse Bianca Abinader.

Contestação negada

A médica informou que apesar de suas justificativas para o pedido de transferência, a secretaria de Saúde negou e a manteve em uma unidade distante de sua casa. "Mesmo apresentando declarações de comparecimento, assinadas pela própria SEMSA comprovando que eu estava lá naqueles dias, recebi 5 faltas, que foram descontadas de meu salário. Cinco dias após minha transferência e finalmente com minha resposta sobre a contestação, fui me apresentar, dessa vez oficialmente, no Distrito Leste. No mesmo dia, porém, pedi minha exclusão do Programa Médico da Família, a fim de ir para a rede básica, onde deveria cumprir apenas 20 horas semanais, com redução de menos da metade do meu salário, mas pelo menos não ficaria tanto tempo longe de minhas filhas. Passei a trabalhar no período da manhã, de 7h às 11h. Não satisfeito, o radialista voltou a me procurar, dessa vez pessoalmente, no novo posto onde eu estava trabalhando. Foi depois do meu expediente e fez um vídeo que nem ele mesmo teve coragem de divulgar na internet. Mas esse vídeo acabou sendo objeto pra mais ofensas na rádio e no blog, e também para uma segunda sindicância contra mim", lamentou.

Nova sindicância

Bianca contou que teve de responder a uma nova sindicância por conta das denúncias do radialista. "Mais uma vez ficou provado, nessa segunda sindicância, através de depoimentos de minha chefe, de outros funcionários, e de minhas folhas de frequência e produção, que Ronaldo Tiradentes mentiu de novo. Isso, no entanto, não impediu que a SEMSA, cujo secretário é amigo do radialista, assim como o prefeito, abrisse uma terceira sindicância contra mim, antes mesmo que a segunda estivesse concluída. Só que na terceira havia um fato novo: como ele não conseguia comprovar suas mentiras, resolveu editar mensagens minhas do meu twitter pessoal que havia sido deletado no ano anterior. Copiou, colou e transcreveu no seu blog como sendo mensagens ofensivas minhas contra o prefeito e seus aliados e enviou em carta para o Secretário de Saúde. Por conta disso, juntaram a segunda e a terceira sindicâncias e concluíram que eu estava inocentada das faltas, mas não das supostas mensagens. E isso se transformou em um processo administrativo, cujo motivo foi "me referir de modo depreciativo a atos ou à administração pública na mídia", acentuou a médica.

No processo administrativo, foram 8 depoimentos, incluindo testemunhas e o próprio radialista. De acordo com Bianca, todas as 7 testemunhas foram favoráveis a ela e disseram não saber da existência de mensagens difamatórias contra o prefeito. "Só Ronaldo Tiradentes continuou afirmando que foram enviadas por mim. Alheia aos fatos, a comissão que fazia o julgamento, de maneira completamente arbitrária, decidiu que eu deveria, sim, ser punida pelas mensagens que eles sequer comprovaram ser minhas e deram especial relevância ao depoimento de meu acusador. E assim eu recebi 90 dias de punição, desde o dia em que a decisao foi publicada: 22/09/2011. Estou sem trabalho e sem salário por algo que sequer provaram contra mim", desabafou a médica.

Linchamento moral público

Bianca afirma que já são quase dois anos de "linchamento moral público" que uma rádio de grande audiência provocou à sua reputação, mesmo que, segundo ela, tenha conseguido provar que tudo era mentira. "Não vou me ater ao prejuízo moral e familiar que isso vem causando a mim e minha família, sem contar os gastos com honorários e horas de sofrimento e tristeza. Foram pelo menos 10 programas de rádio me difamando e mais de 20 posts em blogs da CBN. Não satisfeito, o radialista passou agora a dizer que eu agrido minhas filhas e meu marido, faz questionamentos sobre meus valores familiares e pessoais, sem me conhecer, e cita até os nomes das minhas filhas, de apenas 1 e 4 anos. Boa parte de Manaus, exceto meus amigos, parentes, pacientes, colegas que me conhecem e os que frequentam os blogs que divulgam e sabem da verdade, acredita nas mentiras que ele diz. Até ameaça de morte eu já recebi. E quando ele soube que eu o processei, usou os comentários revoltados que fizeram sobre ele no meu post e entrou com processo criminal contra mim. Considero tudo isso como a maior tentativa de assassinato de reputação já cometido a um médico neste país, por tempo, gravidade e prejuízos físicos, pessoais e financeiros. E o pior de tudo: é uma grande mentira já comprovada", finalizou Bianca.
Fonte : Denise Teixeira/FENAM



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