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Planos de saúde: falta investimento em honorários


Foto: Denise Teixeira
Planos de saúde: falta investimento em honorários
Bichara: "O achatamento dos valores pagos aos médicos por consultas e outros procedimentos está ligado ao fato de a saúde suplementar atuar em função do mercado".


19/11/2009
Um longo tempo de espera nas urgências e emergências, prazo de até cinco meses para marcação de consultas, redução no tempo de atendimento aos pacientes, obstáculos para a realização de exames. Quem vê todas essas dificuldades pode achar até que este texto vai abordar o atendimento prestado aos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS). No entanto, são problemas cada vez mais frequentes no atendimento aos usuários dos planos de saúde.

Segundo o secretário de Saúde Suplementar da FENAM, Márcio Bichara, tudo isso é decorrente da falta de investimento em honorários médicos. "O que estão pagando hoje é o que pagavam há cinco anos e esse piso teve um reajuste de 2,5%. A população não aguenta mais, os prestadores de serviço não aguentam mais", acentua o dirigente da FENAM.

Hoje, o honorário corresponde a 20% da despesa total dos planos de saúde quando, um dia, chegou a representar 40%. De acordo com Bichara, esse achatamento dos valores pagos aos médicos por consultas e outros procedimentos está diretamente ligado ao fato de a saúde suplementar atuar em função do mercado. "O mercado tende a se ampliar. A política do governo é aumentar de 40 milhões para 50 milhões os usuários de planos e seguro saúde, porque, neste caso, se desonera o custo, ainda que às custas dos médicos", disse.

Márcio Bichara afirma que a principal consequência é a demora para marcação de consultas. "A agenda do médico precisa estar cheia para fazer volume de atendimento, o que atrapalha também o paciente", diz ele, acrescentando que foi por causa desse tipo de problema, por exemplo, que os pediatras de Brasília se rebelaram recentemente, pedindo descredenciamento dos planos de saúde. "Os pediatras se exauriram, eles esgotaram a capacidade de atendimento, porque estão o dia inteiro nos consultórios sem receber retorno em menos de 30 dias. O que aconteceu foi que a agenda estava lotada, o honorário era muito baixo e eles, então, se rebelaram. Isso é mais do que louvável", assinala Bichara.

O secretário, no entanto, reforça a importância de um grande movimento nacional, que reivindique soluções para o problema. "É válida a luta das especialidades, mas, se trabalharmos juntos, a chance de êxito é muito maior", aponta Bichara. Ele acredita ainda que essa discussão deve ser retomada até mesmo com paralisações nos atendimentos.

Apesar da insistência das entidades médicas e do pedido ao Ministério Público do Trabalho para que os honorários tenham reajustes cada vez que os planos aumentam as mensalidades para os usuários, as operadoras ainda não aceitam negociar. "Tentamos o tempo todo negociar, porque entendemos que o sistema, como está hoje, é ruim para todo mundo. Mas, infelizmente, não houve sensibilidade por parte das operadoras em criar uma mesa de negociação", lamentou Márcio Bichara.

Além da pediatria, outras especialidades estão começando a se organizar para sair do sistema e isso, na concepção de Bichara, é preocupante. "O que vai acontecer é que vai existir um plano de saúde com algumas especialidades e outras não. Quando o mercado asfixia os honorários médicos, o Estado tem de intervir, porque o usuário está sendo penalizado", finalizou o dirigente.
Fonte : Denise Teixeira e Ana Paula Fonseca



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