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Evento reuniu médicos em Teresina para debater o futuro da profissão no Brasil


Foto: Divulgação/Simers
Evento reuniu médicos em Teresina para debater o futuro da profissão no Brasil
Paulo Argollo disse que o evento permitiu que as entidades médicas avaliassem os avanços da categoria e fizessem um balanço da situação atual.


18/06/2009
Médicos de diversas regiões do Brasil discutiram, em Teresina, questões ligadas ao panorama atual e futuro da profissão. Melhoria salarial e condições de trabalho foram alguns dos assuntos debatidos no V Congresso Brasileiro sobre a Situação do Médico, realizado de 18 a 20/06, na sede do Conselho Regional de Medicina do Piauí. Paralelo ao congresso, aconteceu o IV Fórum de Entidades Médicas do Nordeste. No dia 19, o evento foi marcado por uma passeata em Defesa do Sistema Único de Saúde, nas imediações do Hospital Getúlio Vargas

A solenidade de abertura contou com a presença de autoridades nacionais de diversos órgãos ligados à medicina e políticos que têm ligação direta com a saúde. Segundo o presidente do Congresso, José de Alencar Costa, o debate sobre a situação dos médicos foi iniciado no Piauí. "Esta é a quinta edição deste evento, que sempre aconteceu aqui em Teresina. Temos representantes de estados como Amazonas, Amapá, São Paulo, Rio Grande do Norte, Bahia, além da diretoria da Fenam (Federação Nacional dos Médicos), o que demonstra a importância desse momento de discussão", pontua.

O presidente da FENAM, Paulo de Argollo Mendes, o vice-presidente, José Erivalder Guimarães de Oliveira, e os diretores Waldir Cardoso, Mário Fernando Lins, Jacó Lampert e Wellington Galvão representaram a Federação no evento.

Para Paulo Argollo, o encontro permitiu que as entidades médicas avaliassem os avanços da categoria e fizessem um balanço da situação atual. "Estamos planejando ações articuladas, visando melhorar a remuneração e o trabalho dos médicos com reflexo direto e imediato no atendimento à população, em especial, a parcela mais carente que utiliza os serviços do SUS", afirmou. Argollo declarou ainda que a categoria médica andava numa curvatura descendente em termos de respeito ante às autoridades e agora começa a reverter esse quadro. O presidente da FENAM citou como exemplo a greve dos profissionais pernambucanos, que após uma dura paralisação, conseguiram ter suas reivindicações atendidas pelo poder público.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Piauí, Wilton Mendes da Silva, enfatizou as principais lutas da categoria. "Queremos a criação de uma carreira médica no SUS, do plano de cargos e salários e o piso salarial", defendeu. Segundo ele, o projeto de lei que estabelece salário mínimo de R$ 7 mil para profissionais da rede privada deve ser encaminhado para apreciação do presidente Lula ainda neste primeiro semestre, o que pode abrir brecha para um piso no setor público. Mas um ponto ainda sem entendimento no Congresso seria a atualização da Classificação Brasileira Hierarquizada de Procedimentos Médicos (CBHPM) -rol que determina quanto deve receber o médico pelos procedimentos, ainda não implantada no Sistema Único de Saúde.

De acordo com o presidente da Associação Piauiense de Medicina, Felipe de Pádua, todas essas reivindicações – que viraram tema das conferências do congresso – são velhas conhecidas do poder público. "Há muito tempo estamos batendo nessa mesma tecla e vamos continuar até conseguir nosso objetivo", ressaltou.

Luta

A conscientização da categoria e a troca de experiências sobre mobilizações que acontecem em todo o Brasil são fatores que motivam o congresso. "Vamos buscar soluções visando sempre ao usuário. Queremos médicos mais engajados, não esquecendo da ética", ressaltou o presidente do Sindicato dos Médicos do Piauí, Leonardo Eulálio de Araújo Lima.

Um dos médicos de outros estados que participaram do evento foi Wellington Galvão, presidente do Sindicato dos Médicos de Alagoas, Estado onde a categoria está paralisada há onze meses. "Nós só atendemos aos pacientes do SUS através de ação judicial. A tabela do SUS está há treze anos sem reajuste. O médico recebe R$ 2,74 por uma consulta, enquanto pela CBHPM o correto seria receber R$ 54. Queremos que o Brasil compreenda essa luta", disse Glavão, cobrando mais iniciativa do poder público para salvar o SUS que, segundo ele, estaria na UTI.

O secretário municipal de Saúde de Teresina, Firmino Filho, afirmou que para que haja um bom sistema de atendimento nos hospitais, é necessário maior disponibilização de verba. "No ano passado, foram investidos cerca de R$ 50 bilhões nas entidades públicas, o que, divididos por uma população de 150 milhões de usuários do SUS, dá pouco mais de R$ 300 per capita. Ora, nos planos de saúde, um usuário gasta R$ 1.400 por ano", disse o secretário. Para ele, essa diferença entre a quantia reservada para usuários do SUS e de planos particulares não permite construir um sistema público de qualidade.

O superintendente de Assistência à Saúde da Secretaria Estadual de Saúde, Eucário Monteiro, considera que essa questão ainda é pouco discutida e compete à categoria refletir para mudar essa realidade.

Homenagem

O congresso homenageou o médico Paulo Afonso de Carvalho Ribeiro Júnior, morto em acidente de trânsito em agosto de 2008. O profissional voltava de sua jornada de trabalho na cidade de Campo Maior para trabalhar em Teresina quando perdeu o controle do seu automóvel e faleceu na BR 343.

Para o irmão de Paulo, Marcelo Costa, o médico representava o que toda a categoria vive na pele. "A medicina é um sacerdócio. Meu irmão fazia questão de cumprir todos os seus horários, era um bom profissional e é um motivo de orgulho para nossa família. Essa homenagem também mostra o quanto ele era querido e tinha caráter", diz Marcelo. O evento tomou o médico como símbolo de profissional que tinha de fazer uma jornada extenuante para ter uma vida digna.

É vendo exemplos como o de Paulo Afonso e a luta da categoria, que o estudante do 3º período de Medicina da Universidade Estadual do Piauí, William Cardec, se sente mais confiante sobre a escolha profissional e sobre a importância da luta por melhores condições de salário e trabalho. "É importante participar de eventos assim e saber que não somos só nós que nos preocupamos com o bem estar da profissão. Dedicamos a nossa vida ao estudo, nos abstemos de muita coisa e precisamos saber o que vamos enfrentar quando entrarmos no mercado e como agir", concluiu o universitário.
Fonte : Assessoria de Imprensa do Simepi, com edição de Denise Teixeira



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