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Estamos preparados para uma epidemia?


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Estamos preparados para uma epidemia?



06/05/2009
O mundo está em alerta, e não poderia ser diferente. A ocorrência de uma pandemia, com mortalidade de 6% na maior zona urbana do planeta, emite uma clara mensagem interrogativa aos gestores da saúde pública: estaríamos preparados para enfrentar um contágio de grandes dimensões? Estou certo de que não.

Em se tratando de Rio Grande do Sul, tal ameaça, cujo temor é inegável e se impôs como pauta obrigatória e diária, remete à chegada do inverno, com suas doenças respiratórias, que fragilizam principalmente crianças e idosos. Só um indicador para comprovar a demanda da temporada que se avizinha: dados do Ministério da Saúde revelam que as internações por pneumonia cresceram 51,3% entre 2006 e 2008 no Estado. Na Capital, o avanço foi de 80% no mesmo período!

É sabido que o frio lota emergências. Todos os anos, o Sindicato Médico do Estado (Simers) alerta para o problema. É flagrante que não temos estrutura para enfrentar as adversidades da estação. Até agora, alguém ouviu falar em ampliação de leitos hospitalares, aumento de equipes médicas e reforço em postos, como ampliação de horários, aquisição de medicamentos? Por isso a pergunta: quais são as reais condições que precisamos ter para enfrentar um inimigo como a gripe suína ou mexicana que já espreita o país?

Recentemente, todos os gaúchos assistiram às cenas flagradas pela RBS TV da superlotação da emergência do Hospital Nossa Senhora da Conceição, a maior do Estado. Numa sala projetada para 40 pacientes em observação, havia 94 em estado grave. Um homem de 49 anos morreu após esperar 28 horas, sentado em uma cadeira, por um leito hospitalar. A escassez de vagas para acolher a normalidade da demanda atual é o primeiro alerta para a precariedade da assistência que o Rio Grande do Sul deverá oferecer. Não estamos preparados para o inverno. E se tivermos o inverno associado à epidemia?

A Organização Mundial da Saúde já deixou muito claro que, no Brasil, são os gaúchos os que têm maior probabilidade de serem atingidos, exatamente pelas variações climáticas abruptas e intensas. E não é demais lembrar: entre janeiro de 1993 e abril de 2009, o Estado teve corte de 33% das vagas do Sistema Único de Saúde (SUS). Tínhamos 35.754 leitos há 17 anos, hoje são 23.623. Faltam hospitais? Não, o que falta é investimento para que unidades fechadas na Capital e outras ociosas no Interior operem com plenitude, ou seja, sem a asfixia econômica que vêm sofrendo.

Como faremos isso? Uma medida inadiável é elevar as aplicações em saúde pública. O orçamento estadual vem destinando pouco mais da metade do que deveria. O déficit é estimado em R$ 970 milhões. São soluções inacreditavelmente óbvias, justificáveis somente pela incompetência ou a irresponsabilidade. Os rigores do inverno se manifestam todos os anos e, mesmo assim, repetem-se os casos de superlotação, falta de leitos e fechamento de UTIs pediátricas, gerando danos à saúde – notadamente a das crianças, facilmente evitáveis.

Por todos os lados surgem situações de desespero, que colocam médicos, pacientes e familiares (personagens principais do capítulo final deste drama) como protagonistas de uma realidade insólita, para não dizer, calamitosa. Talvez, e torcemos para que seja assim, a gripe mexicana, como preferem os suinocultores, sequer chegue ao nosso Estado. Mas a soma da imensa população que hoje somos com o fantástico desenvolvimento dos meios de transporte, além da globalização da economia, cria condições nunca antes reunidas para a explosão pandêmica. A rigor, não se trata de “se”, mas sim, de “quando”. É, portanto, para dizer o mínimo, uma irresponsabilidade deixar as coisas como estão. É a crônica de muitas mortes anunciadas.

Fonte : Paulo de Argollo Mendes - Presidente da FENAM



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