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Fórum debate atendimento ao parto na saúde suplementar



09/12/2008
O aumento de cesarianas no setor de saúde suplementar tem preocupado e provocado debates entre os membros da Comissão de Parto Normal, formada pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e Federação Nacional das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), que realizaram na última quinta-feira (04/12), o "Fórum sobre atendimento ao parto na saúde suplementar" com o objetivo de debater o alto índice de cesarianas, suas causas e conseqüências.

Na última pesquisa realizada pela ANS, a Agência constatou que em 2007 o número de cesarianas realizadas na saúde suplementar foi de 84%. Esse índice é considerado alarmante pela ANS, já que é muito superior ao apontado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que recomenda que apenas 15% dos procedimentos de parto sejam do tipo cesariana. No Sistema Único de Saúde, a prática não é tão elevada, representando um índice de 31,8%.

De acordo com o diretor de Saúde Suplementar da Federação Nacional dos Médicos (FENAM), Márcio Bichara, um índice menor de cesarianas no SUS é facilmente explicado por conta da remuneração dos médicos, que, na saúde suplementar, recebem por procedimentos, ao invés de horas trabalhadas, enquanto que no SUS, os médicos trabalham em regime de plantão. "Um parto normal pode durar de seis a vinte e quatro horas. As operadoras fazem esse pagamento por valor único, independente de quantas horas o profissional está trabalhando. Isso tem influência no alto índice de cesarianas. Acredito que se as operadoras pagassem por hora trabalhada, como é feito em qualquer relação de serviço, o índice também diminuiria," constatou o dirigente.

Para a representante do Ministério da Saúde, Daphne Rattner, da área técnica da saúde da mulher, o alto índice de cesarianas preocupa porque causa potenciais complicações à saúde da mulher e do bebê. Entre elas, Daphne citou que as mulheres que fazem cesariana têm mais tendências às infecções, hemorragias, reações indesejáveis à anestesia e influências em futuras gestações, enquanto que os bebês têm mais freqüência à síndrome de angústia respiratória.

Outra questão abordada durante o Fórum foi a liberdade e autonomia da mulher. De acordo com o 3º vice-presidente do Conselho Federal de Medicina, Gerson Zafalon Martins, não existe método certo ou errado. Segundo ele, a prática de cesarianas subiu porque a sociedade está educada para não querer sentir dor. "Não podemos demonizar a cesariana e nem endeusar o parto normal, mas conscientizar a mulher de que ela não pode querer agendar data, hora e signo de seu bebê e que, independente do parto normal ou cesariana, é preciso esperar os sinais da natureza", afirmou.

A pediatra Edilma Barbosa de Albuquerque, também membro da Comissão de Parto Normal, defende a autonomia da mulher na hora do parto. "Os médicos têm de ser educados desde a escola que o melhor parto é aquele que não prejudica nem a mãe nem o filho. O melhor método é aquele que a mãe decide sem prejudicar seu filho. A mulher tem autonomia sobre o seu corpo e não pode deixar que o médico decida por ela", afirmou Edilma, que não atribui à cesariana as causas de abortamento e mortalidade de mães e bebês. "Não acho que há relação entre as cesarianas e os casos de abortamento e mortalidade como estão dizendo. A melhor conduta é aquela na qual a mulher tenha um pré-natal bem feito, o que dará à mulher o direito de escolher entre o parto normal ou a cesariana".

O Presidente da ANS, Fausto Pereira dos Santos, diz que não quer estabelecer regulamentação de quantos procedimentos devem ser feitos, mas quer uma ação conjunta para reverter o quadro. "A ANS não quer ter nenhuma atitude regulatória ou normativa, mas quer mostrar para a sociedade, para o conjunto de operadoras e para as gestantes, chamando a responsabilidade das entidades médicas e em conjunto procurar uma reversão desse quadro no país", afirmou.

Confira o vídeo da matéria.

Fonte : Taciana Giesel/RBW, com edição de Denise Teixeira



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